Mais uma vez sentei em frente ao computador esta manhã. Para não perder o hábito... difícil isso acontecer! Para não perder o hábito de postar no blog. De alguma forma isso me faz bem, chega a ser quase terapêutico, porque enquanto escrevo vou elaborando, refletindo e recriando novas maneiras de encarar esse carregar de pedras cotidiano. Voltemos ao hoje. Meu primeiro impulso foi resgatar alguma coisinha escrita no ano passado, pois há cerca de um ano eu estava tomada por inspiração. Queria escrever todos os dias. Essa pseudo decisão fez com que eu me sentisse uma romântica muito da chata. Insuportável. E que gosto de criar uns bons dramas com essas pequenices do meu dia a dia, meio que querendo valorizar as coisas. Faço uma piada sutil de mim mesma, coloco no papel, com a esperança de que um dia, alguma pessoa que acessar esse blog, vá me desvendar como sujeito. Isso soa quase como impossível por dois motivos. O primeiro, e mais óbvio, é que eu não divulgo nem fico pedindo pra ninguém vir olhar essa “blogagem” (horrível! Hehehe)... O segundo? Bom... Se eu mesma não consigo fazer isso, sofro a cada dia com cada novo aprendizado, sei chorar e dar gargalhadas enlouquecidamente, depois vou dormir sereníssima ("minha laranjeira veeerde..." huhuhuu). Como uma pessoa que eu não faço idéia de quem seria, e se seria, poderia fazer isso? E por que eu estou escrevendo isso? Um pouco prolixa, talvez eu seja sim.
Mas essa postagem antiga... Poxa, que delícia foi o dia em que a escrevi. Foi um dos meus dias mais inspirados, pois, além de ter escrito a “coisa” no ônibus, a caminho do trabalho, introduzi com um belo texto metido à crônica. Claro, fiquei orgulhosinha dessa peripécia e esse post sim eu quis mostrar para os meus amigos, colegas de trabalho, até SMS coletivo mandei pelo celular avisando da nova postagem! Onde estava a “inspiração” pra isso? Ah... fácil responder essa. Não precisamos pensar muito.
Isso me fez pensar no que teria mudado em um ano. Será que mudei muito? E as mudanças? Estão me ajudando ou continuo a me sabotar? Essa coisa da auto sabotagem está ficando forte, tenho até medo. Mas acho que falar sobre isso aqui nesse vazio virtual pode me tornar um pouquinho mais resoluta. O fato é que meu medo de relacionamentos tem sido tão grande que às vezes, por mais que eu esteja totalmente afim de alguma coisa, não reconheço minhas atitudes afastadoras, sobretudo de pessoas do sexo masculino. Tenho dito coisas absolutamente sabotadoras. Calma, nada tão grave. Mas, definitivamente, é como se eu não quisesse tirar proveito das situações, e simplesmente não “administro”, não contorno à minha maneira. Estou meio que cagando (odeio essa expressão, mas ela é tão eloquente). Quando caio em mim, me joguei... da beira dos meus precipícios (estranho isso de cair, jogar...). Tenho refletido muito sobre esse medo de relacionamento ultimamente. Minhas referências não são as melhores, casamentos desfeitos, canalhas na vida das pessoas ao redor (sim, eu já fui também... canalha e vítima de). Essas cofusões conseguem piorar as coisas. A última agora é evitar. Evitar tudo. Evitar a iminência de uma oportunidade. Simplesmente para não constatar que algo ruim possa acontecer. Estranho? Vou tentar explicar. Imagine que você esteja com muita vontade de comer um sanduíche de queijo minas. Você está com uma vontade tão grande, que nem vai à lanchonete com medo de ter acabado o queijo e você se decepcionar! Preferimos sofrer por não comer o sanduíche do que sofrer por tentar comer e (muito pouco provavelmente) se decepcionar. Talvez o exemplo do sanduíche de queijo minas não tenha sido feliz, nunca fui muito boa com metáforas. MAs adoro sanduíche de queijo minas, às vezes acaba o queijo na lanchonete de onde trabalho, eu fico pu...! Acho que deu pra entender o papel de cada coisa nesse contexto. Isso pode parecer piegas, visto que todos estão altamente comprometidos atualmente em evitar sofrimento de alguma maneira. Seja sofrimento por um mau resultado no trabalho, sofrimento por gostar de alguém e não ser correspondido, ou por desejar muito um bem material ou qualquer outra coisa/pessoa e não ter. Qualquer coisa que tenha 0,3456567 % de chance de fazer você se decepcionar, elimine!
Vivemos em um momento que eu considero muito chato. Essa coisa insuportável chamada tecnologia que avança em ritmo vertiginoso nos faz acomodados e controladores. Para controlar processos de produção, de trabalho, uma maravilha, realmente... Mas e as pessoas? O que essa m... chamada orkut faz senão impedir as pessoas de se esforçarem mais para se encontrar, conversar? E a p... do Messenger? Ninguém mais usa telefone, não temos a sensação gostosa de ouvir uma voz muito desejada... E o pior dos piores... Bina!!! Pra que eu tenho que saber quem está me ligando? Por que para quem eu estou ligando tem que saber que sou eu? E a surpresa? Estas “maravilhas” da vida moderna deveriam ser reservadas à polícia, espiões, malucos, obsessivos...
Essa conversa toda da tecnologia é que nos deixa assim meio “sei lá”. A minha geração talvez sofra um pouco, já que até boa parte da adolescência não vivíamos com todos esses “gadgets”, não no Brasil. E aí, de uma hora pra outra, a Internet chegou e as coisas ficaram meio bagunçadas. As relações desencaixadas, todo mundo fala com todo mundo, qualquer lugar, a qualquer hora... Perdeu-se o controle, embora tenhamos a sensação de estar sempre detendo-o. Acredito sim que isso tem lá as suas vantagens. Mas eu me sinto meio confusa em meio a isso tudo. Vejamos: você conhece uma pessoa, um amigo, enfim... essa pessoa vai pedir o seu orkut, seu msn... quiçá o seu telefone. Claro que vão rolar vários recados, mensagens, conversas virtuais. Vocês podem se tornar grandes amigos, mas acredite... Pra você encontrar de novo essa pessoa? Só se for amigo dos seus amigos... Ou... se fizerem um grande esforço. Isso já aconteceu comigo. Conheci gente encantadora em festas, jantares, almoços, eventos em geral... Mas o orkut e o msn possibilitam conversar a qualquer momento... Me deu uma certa preguiça de encontrar a pessoa. Conheci um sujeito há uns dois anos e só o vi uma vez... No dia em que o conheci! Hahahahaha... Ridículo? Talvez. Culpa minha? Da tecnologia? Do sujeito? Impossível saber. Mas se não existisse essa p... toda teríamos nos telefonado algumas vezes e certamente nos forçaríamos a um novo encontro. Mesmo porque não existiria o celular pra enviar aquelas mensagens xexelentas sobre cansaço do trabalho, compromissos, reuniões que não existem, entre outras coisas/desculpas.
Agora eu me pergunto... O que tudo isso tem a ver com o post? Sobre o que é o post? Por que queremos sempre estar controlando tudo quando, a cada dia controlamos menos?
Beijos meus (a “coisa” do post antigo fica pra outro dia, escrevi muito sobre nada hoje)
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